segunda-feira, 16 de setembro de 2019

GUAPORÉ, SEIS HORAS DE AÇÃO, By Geferson Kern

     Chuva e sol, dia e noite, confirmações e surpresas.
     Ação, em absoluto, sem tédio. A quarta edição desta era moderna das 6h de Guaporé foi repleta de dicotomias, mas não com relação ao dinamismo do que aconteceu em pista. A corrida foi movimentada de cabo a rabo, com trocas constantes na liderança e movimentos surpreendentes até a última hora de disputa. Como já virou praxe nesta prova, que consagrou sua quarta dupla vitoriosa diferente em quatro edições realizadas na era Super Turismo.
     A classificatória da sexta-feira era uma boa amostra do que a prova reservava. Instantes após perder a pole provisória para Marçal Müller, do Gol #544, Humberto Giacomello partiu para sua última tentativa e recuperou o direito de colocar seu Sonic Stock Car na posição de honra. De quebra, cravou a pole mais rápida da história das 6h, com 1:14.060, média de 149,716 km/h, exatos 0s490 à frente do rival. Os irmãos Rodrigo e Marcelo Lemke, com seu tradicional Línea, dividiriam a segunda fila com a estreante BMW E87, dos experientes Paulo Sousa e Mauro Kern.  
     Instantes antes da largada, o primeiro drama: havia chovido na abafada tarde de sábado na simpática cidade serrana. A pista mezzo úmida mezzo seca fez a direção de prova declarar ser opcional a escolha pelo de uso de pneus slick ou de chuva, bem como ordenar que a largada ocorresse em fila única, atrás do Safety Car. A condição traiçoeira do asfalto fez sua primeira vítima já no giro inicial em bandeira verde: o valente Monza Hatch de Darlan Silva, Daniel Reis e Rafael Corrêa, que colidiu com o muro no mergulho que antecede a freada do Túnel e trouxe o carro de segurança de volta.
    Na frente, Marçal Müller, que chegou a Guaporé com três vitórias nas três provas até então realizadas na temporada 2019 do Gaúcho de Super Turismo, tratava de assumir a ponta. E os favoritos à vitória na geral começavam a sofrer: na volta 19, o Focus de Tiel Andrade/Júlio Martini acusou um problema de suspensão e ficou parado na pista. Quase ao mesmo tempo, o Aldee de Roberto Lacombe/JB Rodrigues procurava os boxes pela primeira vez com problemas de freios, que derrubariam o #33 na classificação e forçariam seu abandono. Na parte de cima da tabela, os quatro primeiros do grid comandavam o pelotão, acompanhados da Maserati de Telmo Tecchio/Cláudio Ricci/Luiz Otávio Floss e da Mercedes CLA 45 AMG de Arthur Caleffi e Luiz Sena Jr.
    Fechada a primeira hora, mais problemas. O Gol-Honda K20, já com Aldoir Sette no comando, precisou de uma parada fora de hora que o fez perder uma volta: na janela obrigatória, foi atingido no para-choque por outro carro dentro dos pits e precisou voltar aos boxes para reparos. A Maserati da equipe CRT também apareceu lenta de supetão e precisou recorrer aos pits, enquanto a BMW de Paulo Sousa surgia na imagem rodando na saída da Curva da Vitória. A essa altura, o Sonic, já com André Senger, recuperava-se de uma largada ruim para aparecer na frente, junto com os consistentes Caleffi e Marcelo Lemke e o surpreendente 308 Stock de Thiago Messias. O carro, do paraibano Carlos Machado, surgia no pelotão da frente após largar em 11º e imprimia um ritmo forte nas primeiras duas horas de prova. Mais atrás, Sette descontava a volta do líder com o Gol e voltava à disputa com o realinhamento do pelotão em nova entrada do Safety Car.
    Como o regulamento prevê que a cada duas horas disputadas considera-se encerrada uma etapa válida pelo campeonato, veio a primeira quadriculada verde e amarela, sem interrupção da prova. Àquela altura, Giacomello liderava no Sonic, seguido de Kern na BMW, Müller no Gol-Honda, Lemke no Línea, Messias no 308 e Luiz Sena Jr. no Mercedes #21. O Aldee de Renato, Ricardo, João Luís e Nicolas Kreuz era o mais bem colocado da linhagem fabricada por Almir Donato, em sétimo, já com duas voltas atrás. A Maserati vinha no décimo lugar, com cinco voltas atrás, uma à frente da outra Mercedes, de Júnior Victorette, Rafael Iserhard e Marcelo Karam, que sofria com o câmbio. Entre as classes menores, o Gol de Catô Belleza e dos irmãos Ike e Reinaldo Halmenschlager já aparecida com destaque: liderava a classe T1 e se infiltrava no Top10 geral da prova.
     A noite chegou e marcou o fim da primeira metade de prova com um stint dominante de Mauro Kern na BMW. A vantagem, porém, não passava de meio minuto sobre Giacomello e Müller, os adversários mais próximos. Este trio, aliás, mostrava a partir daí que concentraria em si a briga pela vitória, distanciando-se de Sena e dos irmãos Lemke, que permaneciam firmes entre os cinco primeiros. O 308 de Messias e Machado perdia terreno e abandonaria mais tarde, tal qual o Aldee da família Kreuz – que daria um susto geral com um princípio de incêndio nos boxes. A equipe Tubarão também desistiria de vez de trazer seu Focus de volta. O Gol dos Halmenschlager mantinha a liderança de ponta a ponta da T1, situação idêntica a do Celta #197 de Sena Jr. e Maicon Roncen na TL. Na T2, Marcio e Tiago Martins lideravam e davam a impressão de que, após três vice-campeonatos seguidos de categoria nas 6h, enfim conseguiriam vencer.
    A metade final de prova mantinha os mesmos atores na briga pela ponta, mas em nova ordem: a Giocar colocou o Gol-Honda na ponta, com Aldoir Sette de volta à pilotagem. A BMW e o Sonic mantinham-se como os únicos carros na volta do líder, como mostrou a segunda quadriculada em verde e amarelo, que determinou a pontuação para a 5ª etapa do campeonato. A parcial da quarta hora mostrava a ascensão de bons nomes na tabela: na TL, chamavam a atenção o Celta #99 de Demílson Andrade/Paulo Flores/Fernando Doval e o Ônix #29 de Bruno Ceccagno e Tiago Takagi. Na T1, o destaque era para os times da casa, com o Peugeot 206 com motor AP de Rui e Rafael Schulz e o Focus de Érico e Edi Postal e Giancarlo Scomazzon.
    A virada decisiva da prova viria a partir da janela derradeira, que marcava a entrada da última hora de corrida. O Sonic de Giacomello/Senger, então em segundo, foi o primeiro dos líderes a parar. O pit stop foi trabalhoso para a equipe Mottin: requereu até solda no interior do carro. Já o Gol de Müller e a BMW de Kern seguiam na pista e deram um tremendo golpe de sorte com o acionamento de uma bandeira amarela em meio à janela. Ambos correram aos boxes e, na saída dos pits, o Gol apareceu inexplicavelmente tombado em meio à escuridão, no lado oposto da pista, pouco antes da curva 1. As imagens não flagraram e a versão que correu nos boxes é de um toque entre Sette e o Celta #197 de Luiz Sena Jr., que saía à sua frente. A colisão destruiu o Gol e o guard-rail, de modo que, mais tarde, após o sistema de som chegar a anunciar que a prova seria encerrada com 75% do tempo de disputa, uma nova bandeira amarela seria acionada para reparos na proteção.
      Em menos de dez minutos, a vitória resolveu sorrir para a BMW de Sousa e Kern. Com o Gol-Honda fora de disputa e o Sonic duas voltas atrás após a parada demorada, a liderança voltava para o carro alemão, com Sousa a bordo para o stint final. Foi possível até fazer uma parada extra para conferir o fechamento do capô e permitir a ultrapassagem em pista do Sonic de Senger. Àquela altura, não havia como tirar a vitória das mãos da afinada dupla do #7, que transformou a equipe MC Tubarão na primeira a vencer a prova em duas edições – o time de Campo Bom havia faturado a corrida também em 2018, de Línea, com Júlio Martini e Matheus Stumpf. Foi também o primeiro triunfo na geral da equipe desde o passamento de seu fundador, o saudoso Carlinhos de Andrade, em abril deste ano – num lugar que, ao que soube, ele tinha planos até de residir num futuro próximo.
     A velocidade foi uma marca indelével da corrida guaporense. Foi a edição mais rápida das 6h, com média de 118,005 km/h e 231 voltas, apenas uma a mais do que a prova inaugural, em 2016. Antes de abandonar, Marçal Müller e Aldoir Sette ainda giraram a volta mais rápida em corrida da história da prova, com 1:15.187, média de respeitáveis 147,472 km/h. O grid de 35 carros igualou aquele que havia sido o maior da corrida até hoje, em 2017. E pela terceira vez em quatro corridas, líder e vice-líder terminaram na mesma volta – a exceção foi justamente a prova de dois anos atrás, quando os irmãos Lemke venceram com quatro voltas de vantagem sobre os irmãos Halmenschlager.
     Aliás, os Lemke sofreram com problemas de homocinética desde pouco antes da última janela e, ali, perderam a vitória na classe TS. Esta ficou com o bravo Aldee da Eltz Preparações, com Fernando Brock, Bica Vianna e Gerson Lopes, todos pilotos recorrentes da Copa Classic. Na T1, os Halmenschlager nadaram de braçada e apareceram de novo no pódio geral, em 5º lugar – na categoria, foram seguidos pelos já citados nativos Postal/Postal/Scomazzon e Schulz/Schulz. A TL foi digna de nota: em que pese o domínio de Roncen/Sena Jr., valeu o pega na última hora entre o Celta de Fernando Schlosser/José Fernando Schlosser/Tonho Sala/Alex Citron, que valeu o segundo lugar na classe e a última vaga no Top10 geral sobre o Ônix de Ceccagno/Takagi. A T2, por fim, viu a vitória do eficiente Corsa de Pedro Ávila e Alessandro Gandra, se aproveitando dos problemas no terço final do Gol dos Martins, que amargaram o quarto vice-campeonato de categoria seguido na prova.
     Registre-se a valentia do Línea dos Lemke, da Mercedes da Impa (de Victorette e companhia) e do Maverick de Leovaldo Petry/Jonas Staudt: os dois primeiros competiram na prova de quatro horas do Endurance Brasil na semana passada, em Interlagos. O último, na mesma data e local, venceu a edição inaugural da prova Gold Classic, para velozes veículos antigos. E todos estavam a postos para boas apresentações na corrida do último sábado.
     Quando se fala em 6h de Guaporé, me lembro de uma corrida realizada em 99, na chuva, como todas as edições da fase de 2016 pra cá, com vitória do #99 – então um Spyder – de Paulo Hoerlle e Antônio Miguel Fornari. Ainda devo ter o Jornal Pit-Stop que recebi na entrada das 12 Horas de Tarumã daquele ano guardado em algum lugar em casa, com uma foto do grid com o Tubarão 2, fechado e já branco, ao fundo. Tudo isso pra dizer que, naquela época, ainda piá, ficava imaginando como teria sido aquela prova. E hoje enfim a vi de perto, com uma nova versão extremamente legal. Democrática, abrangente e disputada até o fim. Manter qualquer coisa com movimento constante por tanto tempo é um feito e tanto, sobretudo nestes dias de imediatismo nas redes sociais que induzem até o mais vacinado dos cérebros ao aborrecimento precoce.
     Ainda: Guaporé é um lugar e tanto. Uma cidade pequena, bonita, agradável e que, de lambuja, tem um autódromo. Cheia de pessoas simpáticas, como o homenageado da vez, o dr. Telvino Michelon, uma figura que tive a alegria de conhecer antes da largada e que emprestou seu nome à prova – não à toa: o médico que ainda hoje atua na área da cardiologia dirigiu voluntariamente o ambulatório da pista por 35 anos. Aliás, é legal ver esse tipo de reconhecimento, que envolve as pessoas e as valoriza – e isso se faz muito e bem por lá. Não à toa gostamos tanto deste lugar, como gostamos das 6h, do Super Turismo e das corridas no Sul como um todo. Que não falte muito para vir a próxima.

Resultados das 6h de Guaporé 2019




6h de Guaporé, vitória de um carro 'estreante de luxo'!


     Após muitas disputas, BMW #7 de Kern/Sousa vence as 6 Horas de Guaporé
Foi mais uma edição muito disputada da tradicional prova 6 Horas de Guaporé, com pelo menos três postulantes diretos à vitória, durante praticamente toda a corrida, válida pelo Campeonato Gaúcho de Super Turismo, com pontuação para o campeonato a cada duas horas de prova.

      Próximo ao horário da largada, alguns pingos de chuva deixaram as equipes na dúvida sobre qual pneu usar, panorama que durou apenas alguns minutos iniciais, com tempo seco durante o resto da prova.

      E o Gol Honda K20 #544 de Marçal Müller/Aldoir Sette imprimiu fortíssimo ritmo desde a primeira hora tomando a ponta em cima do pole (Sonic Stock V8 #17 de André Senger/Beto Giacomello), liderando a grande maioria da prova, mas sem muita folga em relação ao Sonic #17 e à BMW 130i Turbo #7 de Mauro Kern/Paulo Sousa. 

      O panorama persistiu até que, logo após a última janela de pitstop, faltando pouco mais de uma hora para o fim, Aldoir Sette enroscou-se com o Celta #197, que também saía dos boxes, fazendo com que o Gol #544 capotasse violentamente, danificando o carro, mas com o piloto saindo ileso. A partir daí, a BMW de Kern/Sousa herdou a liderança e conseguiu mantê-la até a bandeirada, apesar do forte ritmo do Sonic #17.

      Assim, a equipe MC Tubarão chega ao bicampeonato das 6 Horas de Guaporé, pois na edição passada a vitória ficou com o Linea #69 de Júlio Martini/Matheus Stumpf, também da equipe.



      Sobre a vitória, a dupla da BMW #7 declarou: "Foi uma briga danada, os três primeiros na mesma volta, trocando de posição, mas no fim, livre de problemas, conseguimos quase uma volta de vantagem", disse Mauro Kern. "O carro é muito bom, o "chão" dele é fantástico, e apesar de ter sido apenas a segunda prova que fizemos com o carro, ele já mostrou o seu pontencial. A equipe fez um excelente trabalho, também, foi uma baita prova", completou Paulo Sousa.

      Na classe TS a vitória ficou com o Aldee #70 de Fernando Brock/Bica Vianna/Gerson Lopes; na T1, mais uma prova consistente do Gol #22 de Ike/Reinaldo Halmenschlager/ Catô Belleza da equipe Spenger, que sagrou-se tricampeã da categoria; Na classe T2 a vitória ficou com o Corsa #44 de Pedro Ávila/Alessandro Gandra;

     Na TL destaque para a excelente oitava colocação geral do Celta #197 de Luiz Sena Jr./Maicon Roncen, equipado com motor 1.4 e pneus de rua, teoricamente mais lento que todas as outras categorias, mas numa prova consistente, a dupla da ADESCA sagrou-se também tricampeã da categoria.


      A próxima - e última - etapa da temporada 2019 do Campeonato Gaúcho de Super Turismo será no dia 16 de novembro, no Autódromo Internacional de Tarumã, e deverá ser disputada também à noite.

Texto: Niltão Amaral/LF Assessoria

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Programação das 6H de Guaporé 2019!



Speedrome e Figure 8: O cruzamento com a loucura na terra do automobilismo! By Geferson Kern



     Indianápolis é um santuário. Neste fim de semana, os olhares do mundo do esporte a motor se voltam mais uma vez para a Capital Mundial do Automobilismo. Não se trata das 500 Milhas, é claro, que ocorrem em maio. Mas de outra prova renomada, longa, difícil, de caráter internacional, exigente, perigosa e com uma bela premiação em dinheiro. Trata-se da edição de 25 anos da Brickyard 400, da Nascar? Poderia, mas o assunto aqui é o inigualável World Figure 8 Championship. É a maior corrida do mundo em pistas em formato de 8, como os velhos autoramas, com a sutil diferença de que, aqui, não há nenhum tipo de ponte quando os traçados se cruzam.

     Você já deve ter visto vídeos disso e agora saberá do que se trata: os carros simplesmente passam uns pelos outros como num cruzamento de trânsito, sem placas de Pare e com os semáforos estragados. Estas corridas costumam serem disputadas com stock cars e são populares na América do Norte. Acredita-se que este tipo de competição, chamada Figure 8, nasceu na casa do evento deste fim de semana, o Indianapolis Speedrome, que está em operação desde a década de 40 – e sim, esta é mais uma daquelas coisas que só Indianápolis proporciona a você. Há pelo menos cerca de 60 outras pistas do gênero espalhadas por EUA e Canadá, mas a Meca, é claro, está em Indy.

     O circuito hospeda diversas provas do gênero ao longo do ano, mas esta é especial: será a 43ª edição da prova. A premiação supera os 50 mil dólares, dos quais 20 mil ficam com o vencedor. O grid é limitado a 28 carros – que pode ser expandido para 30 em caso de mais de 50 inscritos –, com um sistema de classificação com sabor das provas de sprint cars e midgets: apenas os dez primeiros do qualify se garantem no grid. Os demais precisam disputar baterias classificatórias, o que lembra também o sistema de classificação da Daytona 500. E o melhor: a prova é delimitada não por número de voltas, mas pelo tempo. E se já parece uma loucura estar em uma corrida em que é preciso atravessar um cruzamento, saiba que os aspirantes ao título mundial de Figure 8 o farão ao longo de TRÊS HORAS na noite do sábado.

     O mais incrível de tudo: raramente há mortes neste tipo de corrida. O último falecimento por uma batida no cruzamento do Speedrome, por exemplo, foi de Dale Caldwell, em junho de 1960. Segundo o jornal The New York Times, entre 98 e 2010, foram registradas três mortes em provas de Figure 8 em todo o território americano, o que não é um número alto diante da selvageria da competição – os pilotos têm, literalmente, frações de segundos para decidir, ao se aproximar do cruzamento, se frear ou acelerar é a melhor estratégia diante do fluxo vindo no outro sentido.           E isso a bordo de máquinas de chassi tubular, com bolhas inspiradas em clássicos como Camaro ou Firebird e com potências que giram de 600 a 800 cavalos...

     O traçado possui 1/5 de milha de extensão, o que representa pouco mais de 300 metros. O jornal The Indianapolis Star, em matéria de 2016, estima que os carros se cruzem até MIL vezes ao longo da prova, em velocidades na casa de 115 a 130 km/h. O fim de semana de competição, como ocorre rotineiramente nestas pitas, é todo à noite. A programação vai do anoitecer de quinta a sábado desta semana, com corridas preliminares, entre as quais uma categoria exclusiva para carros de tração dianteira. 

No link a seguir, alguns dos melhores momentos da prova de 2018:

terça-feira, 3 de setembro de 2019

CALENDÁRIO - Muito além de sua pista preferida! (Pt. 2) By Geferson Kern


     Voltamos ao calendário da Indy e tudo que o cerca. Paramos no dia 27/06, em Richmond. É preciso pontuar que, nesta data, a IndyCar não conseguiu evitar conflito com outra prova de interesse de seus pilotos e equipes, as 6h de Watkins Glen, da IMSA, marcada para o dia seguinte. Talvez fosse mesmo a única data possível para o retorno do pequeno circuito no sul dos EUA, já que correr no fim de semana seguinte está fora de cogitação. E aí voltamos aos meandros da parte inicial do texto.
     O fim de semana seguinte ao de Richmond é o dos dias 4 e 5 de julho. O dia 4 é o feriado da Independência dos EUA, celebradíssimo no país. Desde 1959, este fim de semana, no automobilismo ianque, foi sinônimo da Daytona 400, a outra prova da Nascar além das 500 Milhas em seu principal circuito. 
     Para 2020, a tradição será quebrada: a prova da categoria na cobiçadíssima data será a Brickyard 400, em Indianápolis. A corrida noturna na Flórida fica para o fim de agosto e encerra a chamada temporada regular, em que são definidos os 16 pilotos que avançam aos playoffs para disputar o título, numa aposta da categoria da família France em valorizar a primeira fase de seu campeonato – e também fazer um upgrade do interesse do público na corrida de stocks na famosa jarda de tijolos.
     Oras, a IndyCar (entidade que controla a Indy) e o Indianapolis Motor Speedway possuem o mesmo dono: a Hulman & Company, que quando controlada por Tony Hulman tomou conta do negócio em 1945, quando o IMS estava pra lá de sucateado após a Segunda Guerra Mundial. Por mais que Indy e Nascar nunca tenham exatamente se bicado, é bastante óbvio que a empresa não vai querer dividir as atenções de um grande evento em seu autódromo com outro de sua categoria. 
     Então, quando tem Nascar em Indianápolis, nada de Indy. Como tem sido desde a primeira prova dos stock cars por lá, em 1994. Aliás, se você leu a primeira parte e está aqui é por ter paciência e curiosidade por fatos bem aleatórios ao grande público, então quero dizer que já escrevi sobre essa tradição de corridas em 4 de julho: ela era pra ter sido iniciada em Daytona, de fato, mas pela IndyCar, não a Nascar. Mas o inclinadíssimo oval já era perigoso demais para os monopostos em plena década de 50. A história completa está aqui na página.
     De volta ao calendário e ao mês de julho. A tradicional prova de Toronto conserva sua data na semana seguinte, dia 12/07. 
     Em seguida, vem Iowa, de volta à noite no sábado, em 18/07. Então, uma longa parada até 16/08, quando está marcada a prova de Mid-Ohio, que vinha sendo disputada no fim de semana imediatamente subsequente ao de Iowa com grande sucesso. Então, pra quê mudar?
     Simples: 2020 é ano olímpico. E a NBC, que desde esse ano detém os direitos exclusivos de transmissão da Indy nos EUA, também é a detentora exclusiva dos direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de Tóquio, marcados para ocorrer de 24 de julho a 09 de agosto. Com sua programação na TV aberta e fechada (em canais como a NBCSN) inundada de eventos esportivos a serem transmitidos no período, fica totalmente inviável realizar corrida de qualquer coisa transmitida pela emissora nos fins de semana de 25 e 26/07, 01 e 02/08 e 08 e 09/08. A NBC também é responsável por transmitir a segunda metade do calendário das divisões Monster Cup e Xfinity Series da Nascar, que também farão uma pausa no mesmo período.
     A solução foi realocar Mid-Ohio em 16/08, na antiga data de Pocono – e aqui chegamos ao centro da maior polêmica. Mark Miles, o CEO da Hulman & Company, disse que a prova no tri-oval estava presente até quinta-feira à noite – o calendário foi anunciado no domingo. Contra o circuito da Pensilvânia, pesaram alguns aspectos, mas bem diferentes daqueles que você imagina: entre os pontos citados por Miles, está a ampliação do calendário em uma prova, o que forçaria as equipes a precisarem de mais dinheiro – e patrocínio – aumentaria o número de milhas a serem percorridas ao longo do ano – a durabilidade dos motores é calculada através desta unidade de medida e poderia ter de ser reprogramada, o que também mexeria nos custos.
     A Indy ainda tem outra birra com Pocono: a alegada má promoção da prova. A maioria dos fins de semana de prova é cheio de atrações ao público. Categorias de acesso, convidadas – a Stadium Super Trucks, com as caminhonetes amalucadas idealizadas por Robby Gordon, é presença constante –, desfiles, paradas, sessões de autógrafos com ídolos e o que mais for possível para atrair as pessoas ao local da corrida e mantê-las entretidas. 
     Em Pocono, nos dois dias de programação, o único atrativo extra ao público além de dois treinos livres, um classificatório e da prova em si era um desfile de carros antigos, notoriamente da própria Indy.
     O carro-chefe do circuito vinha sendo as duas provas da Nascar que recebia no ano. E agora as famílias Igdalsky e Mattioli, que administram a pista, tem um belo problema: o circuito não está no gosto da maioria dos fãs de seu prato principal, que consideram as provas lá entediantes. Para 2020, Pocono terá somente um fim de semana de Nascar em todo o ano, em que foram espremidas duas provas da Cup, uma da Xfinity e uma da Truck Series. Com esta alteração e a saída da Indy, o circuito deixa de ter três fins de semana no ano com provas de categorias de primeiro nível para ficar em somente um. 
     Assim tornam-se bem mais compreensíveis as manifestações em público dos donos da pista dizendo que não queriam, de forma alguma, perder a IndyCar. Menos provas é menos gente nas arquibancadas e menos dinheiro no caixa.
     É claro que os recentes episódios em pista pesam de alguma forma. Todos estavam aterrorizados ainda com a pancada de Robert Wickens no ano passado e, em plena primeira volta, tivemos nova carambola neste ano – por favor, vamos deixar o acidente fatal de Justin Wilson fora disso: foi uma situação quase idêntica à ocorrida com Felipe Massa em 2009, em Hungaroring, um dos circuitos mais travados de categorias top do planeta. Mas sigo a voz da experiência de Robin Miller: os aspectos que realmente fazem a diferença para que a prova fique ou saia do calendário estão bem além da pista.
     A situação de Phoenix é bem o oposto do que ocorre em Gateway, palco da corrida seguinte (22/08): a prova voltou ao calendário em 2017 com grande esforço dos donos do circuito. Neste ano, havia anúncios da corrida até na cidade de Indianápolis com seis meses de antecedência. A programação de dois dias teve toda as categorias de acesso da Indy e mais uma série regional da Nascar, a K&N Pro Series East. 
     O resultado é lógico: o público cresce ano a ano. Em 2019, tivemos 42 mil pessoas na arquibancada, um excelente número visto que tem sido difícil – com exceção de Indianápolis, um evento de grandeza global – colocar mais de 25 ou 30 mil pessoas a assistir in loco uma prova num oval. Mesmo a Nascar tem sofrido com a queda de público e não possui números muito maiores do que esse: alguém que sabe das coisas me disse uma vez que as pessoas não se dispõem mais a se afastar muito de grandes centros urbanos, onde ficam os circuitos ovais em sua maioria. 
     O automobilismo também não encanta mais como outrora. A Indy teve seus problemas, como dito na primeira parte. E por essas e outras, é preciso tirar mais e mais o chapéu para o pessoal de Gateway.
     O calendário se encerra quase como neste ano: com a prova de Portland em 06/09, no fim de semana do feriadão do Labor Day, o Dia do Trabalho americano. Duas semanas mais tarde (20/09), o fechamento em Laguna Seca, um circuito travado demais para encerrar a temporada em alto estilo na pista, mas muito bem localizado: fica no rico Estado da Califórnia, numa região de boa economia e cheia de vinícolas, com ótima temperatura para aquela época do ano nos EUA. Ou seja: um excelente evento de encerramento para receber os patrocinadores e fazer negócios – que são importantes, oras. Alguém precisa pagar para que aqueles carros estejam na pista, não é?
     Ainda haveria uma cacetada de outros aspectos a serem citados. É preciso conciliar calendários com os de outras categorias que correm naquelas pistas, transmissões de TV (de junho a setembro, a NBC se divide entre a Indy e a Nascar, o que é outra ginástica para comportar tudo) e programação complementar de categorias de base (a IndyCar tem três delas no Road to Indy, seu programa de acesso à categoria principal). Ou ainda algo básico como a meteorologia – mercados importantes como Flórida, Califórnia e Texas são muito quentes no verão do hemisfério norte, o nosso inverno, portanto se deve evitar provas por lá nesta época. 
     Até a NFL, líder absoluta na preferência sobre qualquer coisa do público americano, influencia: a liga de futebol americano tem sua temporada entre setembro e fevereiro, então ninguém quer correr o risco de concorrer com eles e perder público na arquibancada ou na TV. Você se lembra de 2014 ou 15, quando a Indy chegou a terminar sua temporada em agosto? Não foi por acaso.
     É assim com a Indy e com qualquer outra categoria – OK, na Formula 1 o pessoal parece bem mais ganancioso do que o admissível nessa coisa de definição de pistas, mas a base das coisas é a mesma. Eu também gostaria de ver a Indy de volta a Milwaukee, mas o circuito ficou três anos sem grandes eventos por falta de interesse. Seria maravilhoso estar de novo em Cleveland, mas como arriscar dividir o público se há uma prova ali perto, no mesmo Estado, que é um tremendo sucesso, vide Mid-Ohio? 
     E Michigan e Fontana são circuitos inesquecíveis, mas a mais recente tentativa de correr neste último foi um desastre: cerca de cinco mil pessoas na arquibancada, numa tarde quente de sábado em junho.
     O automobilismo nos encanta pelo que assistimos na pista, mas só existe pelo grande negócio que ocorre fora dele, fora de nosso alcance. O que não necessariamente é ruim: se formos capazes de entender, as decepções diminuirão. E quem sabe possamos até, de alguma forma, fazer nossa parte para que os desejos de rever uma pista que deixou saudades tornem-se realidade.

CALENDÁRIO - Muito Além de sua pista preferida! (Pt. 1) by Geferson Kern


     A Indy divulgou seu calendário para 2020 no último fim de semana. Mais interessante do que a própria relação de provas e datas, porém, são as nuances que rodeiam sua formatação. Tenho lido coisas realmente interessantes a respeito nos últimos tempos – e olha que eu nem convivo nos bastidores para ter informações realmente reveladoras – e sinto falta de material a respeito em português, então me pus a considerar alguns tópicos. Antes de qualquer coisa, esteja ciente: é tudo um negócio em que alguém precisa pagar a conta. 
     E se aquela sua pista preferida que deixou saudades não se encaixa nisso, ela simplesmente está fora do jogo. Sem chorumelas.
     O primeiro encaixe a ser feito envolveu a recém-instituída prova no Circuito das Américas. Se mantivesse a data ao fim de março na qual esteve neste ano, a prova de Austin teria de ser realizada em 22 ou 29 de março, o que seria um problema: a primeira data é a mesma das 12h de Sebring, tradicionalíssima corrida de Endurance organizada pela IMSA. Há muitos pilotos e times da Indy envolvidos na prova da Flórida e um bom relacionamento entre as ambas as entidades – a IMSA faz preliminares para a Indy em Long Beach e Detroit, por exemplo. 
     Na segunda data, mais problemas: o conflito se daria com a prova da Nascar no Texas Motor Speedway, que fica a três horas de carro dali. Ainda por cima, o mesmo circuito receberia a MotoGP apenas uma semana mais tarde, o que poderia dividir a base de fãs.
     Deu pra sentir um pouco do drama?
     Ressalta-se que, até 2017, o contrato da Indy com o oval em Fort Worth previa exclusividade daquele autódromo para provas da categoria no Texas. A cláusula só foi derrubada quando estabelecido o novo contrato entre as partes, no ano passado, o que permitiu a inclusão do COTA – e as partes tem tentado manter uma certa política de boa vizinhança, pelo que se percebe. A solução foi realocar a corrida de Austin em 26 de abril, após as provas de Barber e Long Beach. 
     Uma boa sacada também do ponto de vista logístico, já que uma semana antes as equipes estarão na California e apenas farão uma parada no Texas para a próxima prova antes de retornar a Indianápolis, que serve de sede para a maioria e, não por acaso, é a próxima parada do calendário, com os eventos que dispensam apresentações e ocupam quase todo o cultuado Mês de Maio.
     Aliás, este será o maio mais movimentado da história da categoria: serão nada menos do que quatro corridas, numa folha de calendário que, historicamente, sempre contou com apenas uma – as 500 Milhas de Indianápolis, é claro. 
     Pois desde 2014, para tornar a programação do mês mais atrativa ao público, a categoria criou um grande prêmio no circuito misto do Speedway, a ser disputado em 09/05. E este é um dos raros anos em que as 500 Milhas não ocorrem no último domingo de maio: o correto, afinal, é dizer que a prova ocorre sempre no domingo imediatamente anterior à última segunda-feira do mês, feriado nacional nos EUA – o Memorial Day, em homenagem aos americanos mortos em guerras. Desta forma, a prova sempre ocorrerá no máximo no dia 30 e no mínimo no dia 24, exatamente a data deste ano.
     Além das duas provas na Capital Mundial do Automobilismo, maio terá as corridas da rodada dupla de Detroit. A data da prova, sempre uma semana após as 500 Milhas, é bastante contestada pelos fãs – e, imagino, pelos times também: depois de todo o desgaste do Maio extenuante em Indianápolis, as equipes são submetidas as três corridas nos dois fins de semana seguintes – ainda há a prova do Texas Motor Speedway na semana subsequente. Mas, para tudo na vida, há uma explicação, bem diz a minha mãe: a corrida na Capital do Automóvel tem promoção do grupo de Roger Penske e é patrocinada pela Chevrolet, uma das fornecedoras de motores da categoria e sediada na cidade. 
     A corrida é uma excelente oportunidade para o Capitão trabalhar suas relações com a montadora, aproveitando a euforia ainda fresca pela realização das 500 Milhas. E manter boas relações com apoiadores de tal envergadura também é importante para a categoria. Assim sendo, o Dual in Detroit está confirmado para os dias 30 e 31/05.
     A data da prova de Detroit é motivo de reclamação, entre outros, de Eddie Gossage, presidente do Texas Motor Speedway. Em sua visão, a corrida seguinte a Indianápolis deveria ser no seu circuito, como sempre ocorrera nos tempos de IRL. Seria um melhor negócio pra ele e também para a categoria, afirma o dirigente, com a prova seguinte às sempre excitantes 500 Milhas tendo como palco um circuito conhecido por disputas frenéticas nas provas da Indy, mantendo a euforia dos fãs em alta. 
     É possível que ele tenha seu desejo atendido em breve: a corrida de Detroit só continuou a existir mediante autorização do Departamento de Recursos Naturais do Estado de Michigan. A permissão vale até 2021 e pode ser renovada até 2023. O temor do órgão é de que a prova cause danos à Ilha Bela, região turística e de rica natureza onde está o circuito de rua da única rodada dupla do campeonato. Para 2020, Gossage vai ter mesmo de aturar outra vez a prova de Detroit até que os IndyCars desembarquem em sua pista, dia 06/06.
     A semana seguinte ao Texas (14/06) é de Dia dos Pais nos EUA. Os organizadores costumam evitar provas em datas como esta. Observe que nunca há corridas americanas na Páscoa (que cai em 12/04 em 2020) ou no domingo do Dia das Mães – o GP no misto de Indianápolis ocorre sempre no sábado daquele fim de semana. O mês de junho é completado pelas provas de Elkhart Lake (21/06) e Richmond (27/06), corrida noturna que retorna ao calendário, onde já esteve de 2001 a 2009. 
     Vejo com bons olhos o retorno do oval na Virgínia, que será a menor pista do calendário (com 0,75 milhas de extensão), mas vamos colocar um asterisco aí: o circuito é de propriedade da International Speedway Corporation, empresa que tem a Nascar como principal acionista e é dona de 13 autódromos nos EUA. Entre estes, estão os de Phoenix e Watkins Glen, onde a Indy tentou correr recentemente sem grande sucesso. E não se esqueça da velha máxima: tudo tem uma explicação.
     Pelo que pude depreender dos escritos do jornalista americano Robin Miller, sobretudo na seção semanal do site Racer.com, em que interage com os fãs, os contratos da Indy com estes circuitos envolviam uma espécie de aluguel pago pela categoria para ocupar o espaço. 
     Assim, com caixa garantido, os autódromos, pertencentes ainda que de forma indireta a uma organização historicamente rival, não faziam lá grandes esforços para promover as provas de IndyCar que lá ocorriam. Lembro de ter visto uma carta de um velho fã a Miller que residia na região de Phoenix e testemunhava não ter visto anúncios da prova em lugar nenhum. Jornal, rádio, outdoor ou que quer que valia.
     Não é só isso, claro: a Indy perdeu espaço no mercado americano por N razões ao longo do tempo. Presença maciça de estrangeiros, descaracterização da categoria, racha CART-IRL, etc. Phoenix era um território da Indy, não da Nascar. Foi construída para receber os IndyCars e, por quase vinte anos, sediava duas provas da categoria por ano. Com o passar do tempo, pelas razões superfluamente supracitadas, os fãs passaram a preferir os stock cars. 
     O resultado está aí: em 2020, o há pouco reformado circuito de Phoenix será a nova sede da prova de encerramento da Nascar. Já cada corrida da Indy realizada no Arizona entre 2016 e 2018 não conseguiu colocar nem 10 mil pessoas ao autódromo. Ocorrerá o mesmo com Richmond? Torçamos para que não. 
     Ou o leque de ovais que consiga abrigar uma prova da Indy com segurança e que não resulte em (grande) prejuízo, em especial por falta de interesse do público, se encolherá ainda mais.
     Falamos apenas sobre a primeira metade do calendário e já estou na terceira página de Word, com Times New Roman fonte 12 e espaçamento de 1,5. O resto vem amanhã. Abaixo, o calendário completo da temporada:

Partiu São Paulo!


Newgarden, predestinado ao título! By Geferson Kern


     Josef Newgarden está predestinado ao bicampeonato da Formula Indy. Só uma reviravolta improvável ou um erro muito grotesco arrancam a taça do jovem piloto da Penske, que tomou conta do time desde sua chegada, em 2017. O que ainda pode acontecer, vide o ocorrido com seu antecessor no carro #2, Juan Pablo Montoya, em 2015: o colombiano bateu no próprio companheiro Will Power na prova decisiva, em Sonoma, caiu para último e chegou em sexto. Scott Dixon venceu a prova e reverteu uma vantagem de 47 pontos, com 104 tentos em jogo, para empatar com o latino na classificação do campeonato e levantar o caneco pelo número de vitórias. 
     Improvável, no entanto, que isso se repita. Até porque ninguém venceu mais do que Newgarden, quatro vezes, no atual campeonato. Simon Pagenaud, um dos pretendentes ao título, ainda pode igualar o feito, mas perderia no número de segundos lugares, em caso de necessidade de invocar os critérios de desempate. E JoNew, como o chama o lendário jornalista Robin Miller, parece bem consciente disso: em Mid-Ohio, jogou fora metade dos pontos que somaria em tentativa desastrada de ultrapassagem na última volta. Também no giro final, em Gateway, quase foi abalroado por um retorno afoito ao traçado de Santino Ferrucci, o que lhe descontou mais alguns pontos. Mas em Portland, com a cautela e destreza que mostrou, nem o furacão Dorian o derrubaria.
     Incrível como a história de Newgarden reprisou a de Dixon na mesma prova do ano passado. Em 2018, o neozelandês parou na largada na caixa de areia, em meio a uma nuvem de poeira, num acidente com quatro carros, com direito a capotagem, em que só ele escapou. Desta vez, Josef se safou por um triz de acertar, ainda na primeira chicane, os carros de Graham Rahal e Conor Daly, vítimas da confusão com, vejam só, quatro carros, causada por Rahal logo após o acionamento da bandeira verde. Tal qual Dixon, caiu para o fim do pelotão. Como o Iceman da Indy, teve cabeça para se recuperar, adotar a estratégia correta e ainda desviar de uma fechada sanguinária de Marco Andretti para chegar ao quinto lugar – a mesma posição final de Dixie em Portland no último ano. Preciso relembrar quem foi conquistou o título na temporada passada?
     O pentacampeão, aliás, não merecia um fim de semana tão sofrido. Depois de ser derrubado por um problema no radiador em Gateway, ficou inexplicavelmente parado por uma falha numa bateria, quando liderava com sobras e já tinha até se livrado dos pneus macios e seu desgaste precoce. As quebras nas duas últimas provas interromperam sequência de quatro corridas em primeiro ou segundo lugar do piloto da Chip Ganassi e, por consequência, sua recuperação em busca do hexa. Mesmo que ele seja Scott Dixon, é dificílimo que consiga reverter 85 pontos na corrida decisiva, em Laguna Seca – um mero vigésimo lugar de Newgarden já o elimina da contenda, mesmo que some todos os 104 pontos possíveis no fim de semana derradeiro do ano.
     A vitória, com autoridade, ficou para Will Power, que havia perdido a pole por 19 milésimos para Colton Herta, após ter achatado os pneus na sua penúltima tentativa no qualify. Na corrida, administrou a borracha melhor do que o jovem filho de Bryan, não sofreu com problemas como Dixon e soube controlar o ímpeto do talentoso Felix Rosenqvist, o único que de fato ameaçou sua liderança – longe da briga pela vitória, Alexander Rossi deve ter ficado satisfeito em descontar cinto pontos para Newgarden com seu terceiro lugar. Escreve outro capítulo alto numa temporada também repleta de baixos, em especial em sua primeira metade, que o distanciaram da briga pelo título. Mas ele ainda é capaz de vencer corridas, o que agrada a Penske e o faz conservar seu emprego. Aliás, Power igualou Sebastién Bourdais como o sexto maior vencedor da Indy em todos os tempos, com 37 conquistas, apenas duas a menos do que o lendário Al Unser, que ocupa a última vaga do Top5 histórico.
     Impossível terminar sem exaltar o oitavo lugar de Matheus Leist – com direito a pressão no final pra cima de Simon Pagenaud, de longe o aspirante ao título mais discreto do fim de semana. Aliás, mesmo tendo descontado 20 pontos do líder nas quatro provas anteriores a Portland, o francês só teve grandes atuações em Toronto e Pocono nesta segunda metade do ano. Voltemos a Leist: o décimo lugar que ocupava até a última amarela já era sensacional por sua condição de equipamento. Chegou a ser terceiro em tentativa de estratégia diferente, que não vingou pois os líderes conseguiram economizar o suficiente para igualar a janela alternativa. Quando o Pace Car entrou, a menos de dez voltas do fim, calçou pneus macios e zerados e ganhou mais dois postos. A segunda melhor posição da carreira, exatamente uma semana antes de completar 21 anos. 
     Curioso, diga-se, que Matheus e Tony, de bom 12º lugar após o inacreditável pódio na semana passada, tenham conseguido resultados para salvar a honra da A. J. Foyt ao mesmo tempo em que a equipe perde seu patrocinador: a ABC Supply, depois de 15 anos, vai embora no ano que vem. A permanência dos brasileiros e da própria equipe na categoria tornam-se grandes pontos de interrogação, ainda que o SuperTex em pessoa tenha jurado ontem, direto de seu rancho, no Texas, que o time estará no grid em 2020.
     Oremos, pois. Creio que estará mesmo. Tal qual o #1 pintado outra vez na fuselagem do carro de Josef Newgarden. Que, bem resumidamente, pode ser campeão até com um quinto lugar mesmo em caso de vitória de Rossi ou Pagenaud em Laguna Seca. Ou até com um décimo posto caso um deles chegue, no máximo, em segundo. Roger Penske sabia muito bem o que estava fazendo, há dois anos, quando aposentou Montoya da Indy para buscar o garoto. A ele, cabe honrar a confiança do chefe e não repetir a mancada de quatro anos atrás do colombiano.

F1 em SPA, By Geferson Kern


     A corrida era o que menos importava depois da trágica morte de Anthoine Hubert, mas não haveria vencedor mais apropriado para o GP da Bélgica que Charlec Leclerc. Não só pelo próprio desempenho, dominante em todo o fim de semana, com direito a uma tremenda luneta aplicada sobre o companheiro Vettel e a implacável Mercedes na classificação. Muito mais importante do que isso: o monegasco era um amigo e companheiro de longa data de Hubert. Os adesivos no volante e na fuselagem do carro e seu comportamento emocional mostram o que essa vitória realmente significou.
     O destino tratou de ser caprichoso: o fim de semana que levou o jovem Anthoine foi o mesmo da primeira vitória de Charles, do retorno à categoria de Esteban Ocon – anunciado como novo piloto da Renault para 2020 – e do recomeço para Pierre Gasly, mandado de volta a Toro Rosso depois de passagem rápida e pouco satisfatória pela Red Bull. Cada um dos velhos companheiros do já saudoso garoto terá sua missão a cumprir e, de alguma forma, eles sabem disso – vide o pedido velado de Gasly a Leclerc para que vencesse a prova em nome do amigo.
     Em pista, um belo GP. Assistir uma prova em Spa é legal por si só. Independente disso, foi divertido assistir ao ataque ainda que tardio de Lewis Hamilton a Leclerc, o sacrifício da Ferrari à prova de Vettel para deter o poderio dos prateados, a gangorra da Renault no final – em que Daniel Ricciardo e Nico Hulkenberg perderam e ganharam, respectivamente, cerca de meia dúzia de posições nos dez ou doze últimos giros –, a combatividade de Sérgio Pérez, da dupla da Toro Rosso e de Alexander Albon, em estreia honrosa com a Red Bull. Uma pena que a prova não acabou uma volta antes para Lando Norris e Antonio Giovinazzi. Ainda que o último tenha sido vítima de um erro próprio, mereciam melhor sorte pelo que andaram.
     Se a Formula 1 replicar a MotoGP, onde o campeonato está decidido mas as provas tem sido muito boas, estará de ótimo tamanho para 2019. Tal qual Marc Márquez nas motos, Hamilton está léguas e léguas à frente do resto no conjunto da obra: pontos acumulados, qualidade do equipamento e nível de pilotagem. Ninguém chega nem perto dele nesta tríade. A Ferrari talvez incomode aqui e ali, mas parece mais um fogo de palha, que se destaca em pistas velozes e de longas retas – deve aparecer forte outra vez em Monza na semana que vem, mas não creio que mantenha o ritmo depois disso. Esqueçamos a taça, que já tem dono, para desfrutar do melhor que cada corrida pode oferecer.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Nelson Piquet: o sucesso do tricampeão mundial de F1

Veja o vídeo:

Copa Truck foi sucesso Total em Rivera!

Gold Classic é sucesso! Materia da Gazeta do Paraná de ontem!

Parabéns Luc Monteiro!

Gold Classic Interlagos neste final de semana bate nos 50 inscritos!


GOLD CLASSIC INTERLAGOS - 50 carros inscritos

(Relação de participantes até 2 de setembro)
2 - Deninho Casarini (SP), VW Puma/Casarini Racing, Força Livre
3 - Niltão Amaral (RS), VW Passat/Brazauto, Turismo Super
6 - Caio Lacerda (SP), VW Gol/HT Guerra, Turismo Super
7 - Thiago Perez (SP), VW Fusca/Wessler Racing, Fusca Cup
11 - Eduardo Castilho (SP), VW Puma/HT Guerra, GT
12 - Mauro Kern (SP), VW Puma/HT Guerra, Super Classic
14 - Geraldo Mesquita (MG), VW Passat/Greff Motor Club, Turismo Super
15 - Heitor Nogueira Filho (SP), Protótipo Espron/Joes Racing, Super Classic
16 - Fernando “Batistinha” Batista (SP), Ford Maverick/Automotor, Premium
17 - Humberto Guerra Júnior (SP), VW Passat/HT Guerra, Turismo Light
19 - Paulo Cury (SP), Farus TS/HT Guerra, GT
21 - Léo Freitas (MG), VW Fusca/Greff Motor Club, Speed Fusca
22 - Juliano Bastos (PR), VW Gol/Lacombe Motorsport, Força Livre
24 - Marcelo Coelho (MS), VW Fusca/EMS Racing, Super Classic
25 - Silvio Zambello (SP), Alfa Romeo GTAm/Jolly, Força Livre
27 - Wanderlei Berlanda (SC), GM Omega/MIG Motorsports, Super Classic
29 - Marcelo Ferraz (SP), VW Gol/Speedtec, Força Livre
30 - Carlos Harmel/César Cardoso (SP/RS), VW Passat/JR Competições, Turismo Super
32 - Fred Mesquita/Reinaldo Cangueiro (MG/SP), Karmann-Ghia/Greff Motor Club, GT
33 - Roberto Lacombe (RS), VW Gol/Lacombe Motorsport, Força Livre
37 - Giovani Almeida/Alexandre Peppe (SP/SP), VW Passat/HT Guerra, Turismo Super
39 - Cleiton Krause (RS), Fiat Uno/Brazauto, Turismo Light
40 - Tiago Schaedler/Josimar Ribeiro (RS/RS), Fiat 147/Fórmula Uno Racing, Força Livre
41 - Ike Nodari (SC), Fiat Uno/Bonora Racing, Turismo Light
42 - Davidson Gea Zschaber (MG), VW Fusca/Greff Motor Club, Speed Fusca
44 - Guilherme Melo (MG), VW Puma/Go Racing, GT
45 - Daniel Kelemen (SP), GM Opala/RC Racing Team, Força Livre
47 - José Mário Dias (PR), GM Chevette/Greff Motor Club, Turismo Light
48 - Sérgio Rocha/Paulo Weber (RS/RS), Ford Escort/RS Racing, Turismo Super
56 - André Mello (SP), GM Chevette/DR Preparações, Turismo Super
57 - Antônio Chambel (SP), VW Gol/DR Preparações, Turismo Super
58 - Ricardo Magnusson/Rogério Mendes (SP/SP), VW Gol/HT Guerra, Turismo Light
66 - Almir Morales (SC), VW Voyage/66 Motorsport, Turismo Light
69 - Fernando Brock (RS), Bianco S/Eltz Racing, GT
71 - Giuliano Giacomazzi (RS), GM Opala/Pieretti Race, Super Classic
72 - Guilherme Lacerda (MG), VW Gol/Greff Motor Club, Turismo Super
77 - Paulo “Loco” Figueiredo (SP), Protótipo Heve/Hollywood-Loco, Super Classic
78 - Matheus Beccalli (SP), GM Chevette/Greff Motor Club, Turismo Light
83 - Antônio Pitta/Tarcilo Pimentel (CE/CE), VW Passat/Barão Race-Horse Motorsport
88 - Paulo Fiorini/Renato Carvalho (SP/SP), VW Gol/A&M Race Team, Turismo Super
119 - Paulo “Mito” Feitosa (MG), VW Passat/Greff Motor Club, Turismo Super
122 - Denísio Casarini (SP), Willys Interlagos/Casarini Racing, Super Classic
221 - Henrique Bartels (MG), VW Fusca/Greff Motor Club, Speed Fusca
222 - Fábio Tokunaga (PR), VW Gol/Red Foot Racing Team, Turismo Light
302 - Leovaldo Petry (RS), Ford Maverick/Project Motorsport, Premium
333 - Manoel Salgueiro (MG), VW Passat/Greff Motor Club, Turismo Light
467 - Tarcires Soares (CE), Fiat Uno/Boteco Praia-Saúva Racing, Turismo Light
777 - Paulo Henrique Costa (PR), VW Voyage/Red Foot Racing Team, Turismo Light
911 - Ronaldo Cezar/Renan Inácio (PR/PR), VW Voyage/Ronaldo Racing, Turismo Light
913 - Carlos Estites (RJ), Ford Escort/HT Guerra, Força Livre